Crédito à Vista!
Crédito à Vista!Guia para empresários · setembro de 2026
Fomento, crédito de inovação e Lei do Bem

Rota do Capital Subsidiado


Enquanto a Selic está em 14,00% ao ano, existe dinheiro público de longo prazo indexado à TR — hoje 2,06% ao ano. A diferença não está em conhecer as linhas: está em empilhar as três camadas na ordem certa e em não cometer os erros de sequenciamento que tornam a despesa inelegível para sempre.

Selic meta
14,00%a.a. em 12/09/2026
TR acum. 12 meses
2,06%indexador da FINEP e do BNDES para PD&I
Crédito de inovação
4,1%a.a. no piso do sistema (TR + 2,0%)
Lei do Bem
20,4–27,2%do dispêndio de custeio, em caixa
Parte 1

Simulador de elegibilidade

Doze respostas sobre a sua empresa e o seu projeto. O resultado diz, instrumento por instrumento, onde você entra hoje, onde entra com uma condição a resolver e onde não entra — com o porquê em cada caso.

Onde o seu projeto se encaixa

Os campos vêm pré-preenchidos com um caso ilustrativo de empresa de médio porte. Substitua pelos seus números — nada é enviado a ninguém, o cálculo roda no seu navegador.

A empresa
Consultamos o cadastro público para confirmar os dados da empresa.
O projeto
Condições de habilitação
Lei do Bem — base de cálculo
Salários de pesquisadores e apoio técnico, materiais, serviços técnicos, P&D contratado com ICT no país.

Você tem as três camadas disponíveis

Empresa em São Paulo, faturamento de R$ 90–300 mi, Lucro Real, projeto de R$ 5–20 mi. 6 instrumentos elegíveis hoje e 1 com uma condição a resolver.

Investimento do projeto
R$ 12.000.000ponto médio da faixa escolhida
Lei do Bem — caixa/ano
R$ 816.000exclusão de 60% · 20,4% do dispêndio
Melhor custo de dívida
8,1%FINEP Inovacred (via agente)
Economia de juros no 1º ano
R$ 708.000vs. Selic de 14,00% a.a.

Instrumento por instrumento

Lei do Bem

Elegível

Camada 3 · incentivo fiscal automático

Exclusão de 60% sobre R$ 4.000.000 de dispêndio de custeio, com efeito-caixa estimado de R$ 816.000 por ano — 20,4% do dispêndio.

Condição a resolver: centro de custo por projeto e apontamento de horas são exigência escrita (Decreto 5.798/2006, art. 10, I).

FINEP — subvenção (Mais Inovação Brasil)

Elegível

Camada 1 · recurso não reembolsável

Contrapartida mínima de 40% do valor total do projeto em arranjo simples, ou 20% em arranjo em rede — sobre R$ 12.000.000, algo como R$ 4.800.000 ou R$ 2.400.000.

O arranjo em rede é a alavanca de estruturação mais valiosa do edital.

Embrapii

Elegível

Camada 1 · recurso não reembolsável

Até 1/3 do projeto — R$ 4.000.000 sobre R$ 12.000.000 — sem edital, sem prazo e sem disputa de nota. Em arranjo com micro, pequena ou média empresa, chega a 50%.

Bônus: destinar a ICT o equivalente a R$ 6 mi ou 5% da operação reduz a taxa do crédito FINEP de TR + 2,5% para TR + 2,0%.

FINEP Inovacred (via agente)

Elegível

Camada 2 · dívida longa em TR

Até R$ 30 milhões financiando até 100% do projeto, em até 96 meses com 24 de carência. Teto de taxa de TR + 6,605% — cerca de 8,7% ao ano com a TR de hoje.

Agente no seu estado: Desenvolve SP. A taxa publicada é teto: cote também em agentes de cobertura nacional. Atenção — não há retroatividade de despesa.

BNDES Automático e Difusão Tecnológica

Elegível

Camada 2 · investimento produtivo

BNDES Automático: até R$ 150 milhões, até 20 anos, com capital de giro associado de até 30% do valor financiado. Difusão Tecnológica: até R$ 50 milhões por cliente em 12 meses, 120 meses de prazo.

Duas alavancas: o Automático permite reembolsar investimentos pagos nos 12 meses anteriores ao protocolo, e itens com tecnologia nacional reduzem a remuneração do BNDES de 2,0% para 1,4% na Difusão.

Garantias — FGI

Elegível

Instrumento de apoio

O FGI cobre até 80% do valor contratado, com garantia máxima de R$ 10 milhões por cliente, para empresas com faturamento até R$ 300 milhões.

Exige aval dos sócios pela totalidade da dívida, e o encargo de concessão é incorporado ao saldo devedor: quanto maior a cobertura, maior o custo. Peça simulações comparativas.

BNDES Mais Inovação

Com condição

Camada 2 · dívida longa em TR

Custo financeiro em TR com remuneração a partir de 2,7% ao ano, mas o valor mínimo para a operação direta é de R$ 20 milhões na sua região.

Abaixo do mínimo, use o apoio indireto (a partir de R$ 20 mi) ou o BNDES Automático.

FAPESP — PIPE

Fora hoje

Camada 1 · São Paulo

O teto é de 250 empregados, independentemente do faturamento.

Caminho alternativo em São Paulo: parceria com uma empresa elegível ou com ICT paulista.

Tecnova IV e Centelha 3

Fora hoje

Camada 1 · empresas pequenas

Faturamento acima de R$ 16 milhões fica fora do Tecnova, e o Centelha atende empresas com até 12 meses de constituição.

Sua faixa é atendida pelas seleções de subvenção da FINEP e pela Embrapii.

FINEP — crédito direto

Fora hoje

Camada 2 · dívida longa em TR

A porta é estreita e cumulativa. Faltam, no seu caso: patrimônio líquido acima de R$ 86 milhões; pleito mínimo de R$ 30 milhões.

Mesma família de taxas com porta mais larga: BNDES Mais Inovação via agente, ou Inovacred.

BNDES Fundo Clima

Fora hoje

Camada 2 · taxa fixa

Exige componente de descarbonização, eficiência energética, energia renovável ou economia circular.

FNE / FNO / FCO — faixa CT&I

Fora hoje

Camada 2 · Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Os fundos constitucionais atendem apenas Norte, Nordeste e Centro-Oeste (mais o norte de Minas e do Espírito Santo, no caso do FNE).

Se o projeto tem execução possível nessa área, o enquadramento muda — e melhora bastante.

Seus próximos três passos

  1. Implantar centro de custo e apontamento de horas de P&D. É exigência escrita da Lei do Bem, insumo do orçamento da FINEP e base da prestação de contas da subvenção — um controle que serve às três camadas.
  2. Priorizar FINEP — subvenção (Mais Inovação Brasil). É dinheiro que não volta: comece pela camada mais barata antes de contratar dívida.
  3. Cotar FINEP Inovacred (via agente) em três agentes. A taxa publicada é teto e o spread do agente é livre: essa é a maior diferença negociável do pacote. Confirme o indexador antes da taxa.
O PDF é baixado na hora e uma cópia vai para o seu e-mail. Usamos o endereço apenas para isso e para responder, se você pedir.
Quero uma leitura do meu caso

Diagnóstico indicativo, baseado nas regras publicadas em setembro de 2026. Cada edital publica o seu próprio anexo de condições — confirme porte, contrapartida e prazos no documento da chamada antes de decidir.

Parte 2

O sistema tem três camadas — e elas não competem entre si

Empresário que procura "uma linha de crédito barata" está olhando para um terço do sistema. O desenho correto usa as três camadas no mesmo projeto, cada uma cobrindo o que as outras não cobrem.

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Dinheiro que não volta · risco tecnológico

Subvenção econômica e recursos não reembolsáveis

É a camada que paga o que nenhum banco financia: a chance real de o projeto não funcionar. Não é empréstimo, não há diluição societária, e a propriedade intelectual fica com a empresa. Em troca, exige mérito técnico, contrapartida financeira em conta segregada e prestação de contas.

  • FINEP — Mais Inovação Brasil (subvenção): quatro seleções abertas hoje, com prazo em 30/09/2026: Tecnologias Digitais (R$ 300 mi), Cadeias Agroindustriais Sustentáveis (R$ 300 mi), Base Industrial de Defesa (R$ 300 mi) e Semicondutores (R$ 100 mi). Propostas de R$ 5 mi a R$ 20 mi (arranjo simples) ou até R$ 30 mi (arranjo em rede).
  • Embrapii: até 1/3 do valor do projeto a fundo perdido — ou até 50% em arranjo colaborativo que inclua uma micro, pequena ou média empresa. Sem edital, sem prazo, sem disputa de nota: é negociação bilateral com uma das mais de 90 Unidades credenciadas.
  • FAPESP — PIPE (São Paulo): Fase 1 até R$ 300 mil em 9 meses; Fase 2 até R$ 1,5 milhão em 24 meses. Fluxo contínuo. Limite de 250 empregados e o pesquisador responsável precisa ser sócio, com 24 h semanais dedicadas.
  • Centelha 3 e Tecnova: para empresas pequenas (até R$ 16 milhões de faturamento no Tecnova; até 12 meses de constituição no Centelha), operados pelas fundações estaduais de pesquisa em praticamente todos os estados.

Contrapartida na subvenção FINEP, por porte: micro/EPP 5% · pequena 10% · média I (R$ 16–90 mi) 30% · média II (R$ 90–300 mi) 40% · grande 50%. Em arranjo em rede, cai pela metade nas três últimas faixas.

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Dívida longa e barata · indexador é tudo

Crédito de inovação e investimento

É a camada que financia escala: planta, equipamento, digitalização, capital de giro associado. O erro clássico é negociar spread e ignorar o indexador — uma linha em TR com spread de 6% é mais barata que uma linha em TLP com spread de 1%.

  • FINEP crédito direto: TR + 2,0% a 2,5% no Mais Inovação, prazo total de até 192 meses com 48 de carência. Porta estreita: faturamento a partir de R$ 90 milhões, patrimônio líquido acima de R$ 86 milhões e pleito mínimo de R$ 30 milhões.
  • FINEP Inovacred (via agente credenciado): até R$ 30 milhões, teto de TR + 6,068% (micro e pequena) ou TR + 6,605% (média), até 96 meses, financiando até 100% do projeto. Aberto a faturamento de até R$ 300 milhões. As taxas são teto — o agente pode praticar menos.
  • BNDES Mais Inovação: PD&I nas missões da Nova Indústria Brasil com custo financeiro em TR e remuneração do BNDES a partir de 2,7% (direto) ou 2,6% (via agente), com até 16 anos de prazo e 4 de carência.
  • BNDES Fundo Clima: taxa fixa de 6,50% ao ano (9,50% para geração solar), até 16 anos com 5 de carência. Imune a IPCA e a Selic — o melhor abrigo de quem tem componente de descarbonização ou eficiência energética.
  • Fundos constitucionais (FNE, FNO, FCO): para quem está no Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, enquadrar o projeto como Ciência, Tecnologia e Inovação usa Fator de Programa 0,5 (até R$ 1 milhão) ou 0,9 (acima), contra 1,5 do investimento comum — com bônus de adimplência de 15% sobre os encargos.
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Caixa recorrente · automático, sem edital

Lei do Bem e incentivos fiscais automáticos

É a única camada que não depende de aprovação prévia de ninguém: a empresa apura e usa na própria declaração. Em contrapartida, o Ministério da Ciência e Tecnologia analisa depois — com poder de aprovação parcial — e a Receita Federal fiscaliza.

  • Exclusão adicional de 60% dos dispêndios de custeio em PD&I na base do IRPJ e da CSLL, subindo a 70% ou 80% conforme o incremento no número de pesquisadores exclusivos, mais 20% no ano em que uma patente ou cultivar é concedida.
  • Efeito-caixa real de 20,4% a 27,2% do dispêndio — e até 34% no ano da concessão da patente. Não são 60% de dinheiro: são 60% de exclusão sobre uma alíquota combinada de 34%.
  • Depreciação integral de máquinas novas de P&D no ano da aquisição, amortização acelerada de intangíveis e redução de 50% do IPI em equipamentos de pesquisa.
  • Porta de entrada estreita: exige Lucro Real, lucro fiscal no próprio período e regularidade fiscal. Sem lucro fiscal, o benefício do ano é perdido e não se acumula para o ano seguinte.

Lei 11.196/2005, arts. 17 a 26 · Decreto 5.798/2006 · IN RFB 1.187/2011 · Portaria MCTI 9.563/2025. Escala do instrumento no ano-base 2024: 4.252 empresas usuárias, R$ 51,59 bilhões declarados em P&D e R$ 11,98 bilhões de renúncia fiscal.

Parte 3

A escada de custo de capital, hoje

O mesmo projeto pode custar 4% ou 14% ao ano. A distância entre os dois números é decidida no enquadramento — não na negociação com o gerente.

Custo de capital comparado · taxas nominais estimadas em 12/09/2026, com TR de 2,06% ao ano (acumulado 12 meses) e Selic meta de 14,00%. Spreads de risco e de agente variam por operação.
FonteCusto nominal estimadoPrazo máximoPorta de entrada
Subvenção FINEP / Embrapii
recurso não reembolsável
0%—Mérito técnico + contrapartida de 5% a 50% conforme porte e arranjo
FINEP Mais Inovação (direto, com bônus)4,1% a 5,3%
TR + 2,0% + risco
192 mesesFaturamento ≥ R$ 90 mi · PL > R$ 86 mi · pleito ≥ R$ 30 mi
BNDES Mais Inovação (direto, PD&I)≈ 4,8%
TR + 2,7% + risco
192 mesesFaturamento ≥ R$ 80 mi · pleito ≥ R$ 20 mi (R$ 10 mi no N/NE)
BNDES Mais Inovação (via agente, PD&I)6,7% a 8,7%
TR + 2,6% + spread do agente
192 mesesO spread do agente é integralmente negociável — cote em três
FINEP Inovacred (via agente)8,1% a 8,7%
teto: TR + 6,068% / 6,605%
96 mesesFaturamento até R$ 300 mi · até R$ 30 mi por operação · até 100% do projeto
BNDES Fundo Clima (automático)até 9,9% fixo
6,50% + 0,9/1,4% + até 2,5%
16 anosProjeto com componente climático · até R$ 50 mi por cliente em 12 meses
FNE / FNO / FCO — faixa CT&IFórmula legal
Fator de Programa 0,5 ou 0,9
15 anosEmpresa no N/NE/CO · percentual efetivo não é publicado: peça a taxa do mês ao gerente
Crédito bancário de mercado14,00% +
Selic meta + spread
curtoReferência de comparação

Pergunte o indexador antes da taxa

A TR acumulou 2,06% em 12 meses. A TLP nominal roda perto de 12,5% (parcela fixa de 8,30% mais IPCA de 4,22%). Duas linhas com o mesmo spread aparente podem ter 10 pontos de diferença no custo efetivo — e o indexador está na primeira linha do contrato, não na conversa comercial.

Nos fundos constitucionais, o timing é contratual

Fator de programa, fator de localização, bônus de adimplência e a parcela prefixada da TLP são fixados na contratação e mantidos constantes por toda a operação, vedada revisão. Contratar com a TLP prefixada em 8,30% congela esse nível por até 15 anos — para cima ou para baixo.

Parte 4

A circularidade: por que as três camadas se reforçam

"Circularidade" não é figura de linguagem. É o fato de que a mesma estrutura de governança que você monta para uma camada é exigida pelas outras duas — e de que o resultado de cada uma abre a porta da seguinte.

O ciclo funciona assim: a subvenção absorve o risco da fase em que ninguém empresta, porque o projeto ainda pode falhar. O que a subvenção produz — protótipo validado, equipe técnica montada, patente depositada, contabilidade de projeto organizada — é exatamente o que o crédito de inovação exige para financiar escala a TR. E o dispêndio de custeio que a empresa banca do próprio bolso ao longo dos dois movimentos é o que alimenta a Lei do Bem, devolvendo de 20% a 27% em caixa, todo ano, sem edital.

A regra que separa quem empilha de quem perde o benefício

Existe uma trava legal que quase todo mundo descobre tarde: a parcela do projeto custeada com recurso público não reembolsável não entra na base da Lei do Bem. Subvenção e incentivo fiscal convivem no mesmo projeto — nunca sobre o mesmo real.

Art. 17, § 4º da Lei 11.196/2005

"Na apuração dos dispêndios realizados com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, não serão computados os montantes alocados como recursos não reembolsáveis por órgãos e entidades do Poder Público."

Repetido em idêntica redação no art. 3º, § 2º do Decreto 5.798/2006 e no art. 4º, § 2º da IN RFB 1.187/2011. Consequência prática: em projeto com subvenção, a Lei do Bem incide apenas sobre a contrapartida própria da empresa — e é a segregação contábil por fonte de recurso que permite usar os dois com segurança.

O financiamento reembolsável é diferente: empréstimo, mesmo subsidiado, é dívida da empresa, e o dispêndio continua sendo custeado com recurso próprio. A literalidade do artigo alcança apenas o recurso "não reembolsável". Como não localizamos manifestação oficial expressa sobre esse ponto, ele merece parecer antes de dimensionar o benefício — e é uma das perguntas que vale fazer ao seu assessor tributário na primeira reunião.

Três engrenagens que pagam pelas outras

Parceria com ICT reduz a taxa do crédito

Destinar a uma instituição de ciência e tecnologia o equivalente a R$ 6 milhões ou 5% do valor da operação aciona o bônus da FINEP: o Mais Inovação cai de TR + 2,5% para TR + 2,0%. O projeto de pesquisa se paga parcialmente pela redução do custo da dívida.

Arranjo em rede corta a contrapartida pela metade

Para uma empresa de R$ 90 a 300 milhões de faturamento, a contrapartida da subvenção FINEP cai de 40% para 20% em arranjo em rede. Nenhuma negociação de spread produz efeito dessa magnitude.

Um controle serve aos três

Centro de custo por projeto e apontamento de horas são exigência escrita da Lei do Bem, insumo do orçamento aceito pela FINEP e base da prestação de contas da subvenção. Montado uma vez, sustenta as três camadas.

Parte 5

Sequenciamento: onde o dinheiro se perde por pressa

Esta é a seção que separa um projeto bem financiado de um projeto que gastou certo na hora errada. Despesa feita fora da janela de elegibilidade não é recuperável — não há recurso, não há negociação.

A data que torna a despesa elegível muda em cada trilho. Confundi-las é o erro mais caro do processo.
TrilhoDespesa elegível a partir deEfeito prático
Subvenção FINEP — parcela da subvençãoAssinatura do Termo de OutorgaGasto anterior não é reconhecido: vira glosa, e glosa é hipótese expressa de Tomada de Contas Especial.
Subvenção FINEP — parcela de contrapartidaPublicação do editalO intervalo entre edital e assinatura serve para queimar contrapartida — nunca subvenção.
FINEP crédito diretoAté 6 meses antes do protocolo eletrônicoProtocolar cedo é o que abre a janela retroativa. Adiar o protocolo para "deixar perfeito" queima elegibilidade de forma irreversível.
FINEP Inovacred (regra geral)Registro da documentação no agente financeiroSem retroatividade nenhuma. É o erro de sequenciamento mais caro justamente na faixa de empresa que mais usa a linha.
Inovacred 4.0 e Aquisição Inovadora–TelecomAté 6 meses antes do registro no agenteExceções à regra acima — vale checar se o seu projeto se enquadra em um desses produtos.
BNDES AutomáticoInvestimentos pagos nos 12 meses anteriores ao protocoloPodem ser reembolsados ou contados como contrapartida. Alavanca de caixa frequentemente ignorada.
Lei do BemTodo o ano-calendário, declarado até 31/08 do ano seguinteAqui o erro é inverso: montar o controle depois do gasto. Sem apontamento de horas contemporâneo, a reconstrução posterior é o que o MCTI glosa.

Um calendário de 24 meses que funciona

Mês −12

Montar a governança de P&D antes de precisar dela. Centro de custo por projeto, conta contábil específica e apontamento de horas por pesquisador. Serve à Lei do Bem do ano corrente e é o insumo do orçamento que FINEP e BNDES vão pedir.

Mês −9

Decidir sobre auditoria. Se o faturamento se aproxima de R$ 300 milhões ou o ativo total de R$ 240 milhões, o balanço auditado por auditor registrado na CVM deixa de ser opcional na FINEP — e evita o caminho penoso de demonstrações individuais com memória de consolidação no BNDES.

Mês −6

Limpar a casa. Certidão federal, FGTS, dívida ativa, cadastros de integridade. E mapear o grupo econômico completo até a pessoa física — no BNDES, a identificação incorreta do grupo mata a habilitação antes de qualquer análise de mérito.

Mês −3

Habilitar e cadastrar. A habilitação no BNDES é etapa prévia obrigatória ao protocolo. Na FINEP, os três segmentos cadastrais precisam estar enviados ou atualizados nos últimos 12 meses.

Mês 0

Protocolar. No crédito direto da FINEP, o protocolo abre a janela retroativa de seis meses. No Inovacred, é o registro no agente que inicia o relógio — e sem retroatividade.

Mês 0 a 6

Só então gastar, respeitando a data-marco do trilho escolhido. Em ano bom, o crédito FINEP levou cerca de 173 dias da submissão à contratação; o fluxo contínuo de subvenção estourou a meta e ficou em 255.

Durante

Relatórios parciais anuais, entregues com 30 dias de antecedência de cada liberação, certidões renovadas a cada parcela e contas exclusivas segregadas — subvenção em uma, contrapartida em outra.

Depois

Arquivo exclusivo por projeto, por 5 anos contados da aprovação da prestação de contas final. Em projeto de quatro anos, isso significa guardar por cerca de dez anos a partir do início. Dimensione o arquivo por esse número.

Parte 6

A governança mínima — e ela está escrita em norma

Quando um consultor diz que sua empresa precisa de timesheet e centro de custo de P&D, não é preciosismo de consultoria: está no regulamento da Lei do Bem e no guia do próprio Ministério.

Contabilidade em contas específicas

"Os dispêndios e pagamentos deverão ser controlados contabilmente em contas específicas." Não é boa prática — é obrigação do art. 10, I do Decreto 5.798/2006.

Apontamento de horas por projeto

O Guia Prático do MCTI exige registro individualizado de horas dedicadas, trabalhos desenvolvidos e custos de cada pesquisador e de cada funcionário de apoio técnico, por projeto incentivado.

Contas bancárias segregadas na subvenção

Conta corrente exclusiva em instituição financeira pública federal para o recurso da subvenção, e conta exclusiva para a contrapartida. Rendimentos das aplicações precisam ser aplicados no próprio objeto.

Risco tecnológico documentado

É o que separa "projeto que falhou" de "dano ao erário". O Termo de Outorga da FINEP dá tratamento próprio à não execução decorrente de risco tecnológico, nos termos do Decreto 9.283/2018, quando devidamente justificada.

Segregação por fonte de recurso

Dentro do mesmo projeto, é preciso saber qual real veio da subvenção e qual veio do caixa próprio — porque apenas o segundo entra na base da Lei do Bem. É exatamente isso que o MCTI confronta no FORMP&D.

Prazos de contestação são curtos

Pela Portaria MCTI 9.563/2025: ciência da intimação eletrônica em até 10 dias corridos, contestação em 30 dias corridos e recurso administrativo em 10 dias. Quem descobre o parecer com atraso perde o prazo.

Parte 7

O que reprova um projeto

Na maioria dos casos, não é o mérito técnico. É porte fora da faixa, cadastro sujo, orçamento inconsistente — ou um projeto de modernização apresentado como inovação.

Descrever desafio de mercado em vez de desafio tecnológico

O motivo nº 1 de não aprovação na Lei do Bem, segundo o próprio MCTI. Junto dele: usar tecnologias já conhecidas e dominadas, e não demonstrar correspondência clara entre os dispêndios e os projetos, sobretudo em recursos humanos.

Ausência de incerteza tecnológica no crédito de inovação

A FINEP avalia grau de incerteza tecnológica, composição de dispêndio, qualificação da equipe e trajetória de inovação. CAPEX de modernização vestido de P&D não passa — e nota zero em incerteza tecnológica elimina a proposta de subvenção.

Porte fora da faixa

Empresa de R$ 60 milhões montando projeto para o crédito direto da FINEP é inelegível por porte, não por mérito. E uma empresa de R$ 400 milhões é "grande" no BNDES e porte V na FINEP — o que a tira do Inovacred fora do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Contrapartida abaixo do mínimo

Elimina a proposta, sem discussão de mérito. E o percentual incide sobre o valor total do projeto, não sobre a subvenção pedida — conta que muita gente faz errado na planilha.

Reprovação cadastral silenciosa

No BNDES, a habilitação pode morrer antes da análise técnica: apontamento em base pública ou privada, dívida ativa, mídia negativa, ou metodologia automática de risco que não sustenta a margem mínima para operar direto.

Prestação de contas mal executada

Não entregar relatório em até 30 dias da notificação, não aportar a contrapartida, desviar finalidade ou não aplicar os rendimentos no objeto são hipóteses de Tomada de Contas Especial — o risco continua vivo anos depois da aprovação.

Parte 8

O que está em jogo nas próximas semanas

Datas verificadas em 12 de setembro de 2026. Prazos de edital mudam — confirme no documento da chamada antes de montar cronograma.

Janelas abertas e prazos recorrentes
InstrumentoPrazoCondições essenciais
FORMP&D — Lei do Bem, ano-base 202530/09/2026Prorrogado excepcionalmente pela Portaria SETEC/MCTI 10.307/2026. Fora do prazo, a informação não é analisada — o benefício do ano-base se perde.
FINEP Mais Inovação — Tecnologias Digitais30/09/2026Subvenção. Orçamento de R$ 300 milhões. Propostas de R$ 5 a 20 mi (simples) ou até R$ 30 mi (rede).
FINEP Mais Inovação — Cadeias Agroindustriais30/09/2026Subvenção. R$ 300 milhões. Reserva de orçamento para execução no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
FINEP Mais Inovação — Base Industrial de Defesa30/09/2026Subvenção. R$ 300 milhões.
FINEP Mais Inovação — Semicondutores30/09/2026R$ 100 milhões, faixa de maturidade TRL 3 a 8, com ICT parceira obrigatória. A demanda já superava o orçamento em 03/09.
PIPE FAPESP — Fases 1, 2 e PIPE InvestFluxo contínuoSubmissão a qualquer momento pelo SAGe. Empresa com até 250 empregados e unidade de pesquisa em São Paulo.
PIPE Jornada Tecnológica — Indústria do FuturoPré-proposta 08/10/2026Até R$ 500 mil por projeto, 12 meses. Proposta completa em 09/12/2026. Chamadas de Educação (13/10) e Geral (16/11) anunciadas.
EmbrapiiSem prazoNegociação bilateral e contínua com a Unidade credenciada. Até 1/3 do projeto a fundo perdido, ou 50% em arranjo com MPME.
Tecnova IV (FINEP + fundações estaduais)Editais estaduais em 2027R$ 360 milhões da FINEP mais R$ 228,5 milhões de contrapartidas estaduais, nos 27 estados, para empresas com faturamento até R$ 16 milhões.

Dois pontos de 2026 para acompanhar com o seu tributarista

Corte linear de 10% da LC 224/2025. A exclusão adicional da Lei do Bem aparece como preservada no anexo da IN RFB 2.305/2025, atualizado pela IN RFB 2.307/2026 — mas essa proteção depende da listagem anual nos anexos orçamentários. Confirme o anexo vigente antes de fechar o cálculo do exercício.

Tributação mínima global. Para grupos multinacionais com receita a partir de € 750 milhões, o Adicional da CSLL da Lei 15.079/2024 pode neutralizar parcial ou integralmente o efeito da Lei do Bem, porque o incentivo é exclusão de base e não crédito reembolsável qualificado. Não há manifestação oficial expressa sobre a interação — é o ponto de maior incerteza técnica hoje.

Para fechar

Quem ajuda a montar isso

Nenhuma dessas portas exige intermediário — e vale saber disso antes de contratar um.

O que ninguém pode prometer

BNDES e FINEP não credenciam nem indicam consultores, e o BNDES exige contato direto com a empresa mesmo quando há assessoria. Quem promete prazo, promete resultado ou apresenta "o índice financeiro oficial do BNDES" está vendendo o que não existe — esse índice não é publicado.

Como remunerar quem estrutura

Success fee puro sobre Lei do Bem é estrutura de conflito: o benefício é autodeclaratório, a glosa chega anos depois e o passivo fica com a empresa. Uma saída é reter parte do fee até o parecer do MCTI. Não existe dado público de fee médio no Brasil — qualquer "percentual de mercado" citado sem fonte é invenção.

Como a Davos atua

A Davos, da qual sou sócio, trabalha como curadora de soluções financeiras: cobra fee pelo serviço de estruturação, em vez de comissão do provedor. É esse modelo que permite recomendar a fonte certa para o caso, e não a fonte de quem remunera — com mais de 40 parceiros financeiros e nenhum viés por produto.

Se depois de rodar o simulador você quiser uma leitura do seu caso — porte, regime, maturidade do projeto e o enquadramento que faz diferença no custo —, é só escrever.

Quero uma leitura do meu caso